O Poder do “Tamo Junto” e a Solidão Corporativa

Descrição do post.

Fábio Carigé

6/24/20252 min read

A gente trabalha cercado de gente, com o chat piscando sem parar e, ainda assim, muitas vezes a sensação é de que estamos sozinhos. Essa é a tal da “solidão corporativa”. É cada um no seu quadrado, focado nas suas tarefas, enquanto o conceito de ser um time de verdade se perde no caminho.

Do outro lado da moeda, existe algo poderoso, que transforma o ambiente: o efeito “Tamo Junto”. É aquela energia que surge quando a equipe está em sintonia, quando o problema de um vira a missão de todos. É ali que a gente trabalha melhor, com mais criatividade e, vamos ser sinceros, com muito mais vontade.

A prova de que isso funciona? A famigerada “War Room”.

Pense nela como um experimento: junte as pessoas certas, dê um objetivo claro e deixe a mágica acontecer. Por que funciona tão bem? Por três motivos simples:

  1. Visão compartilhada: Todo mundo vê o mesmo quadro, os mesmos gráficos, a mesma lista de tarefas. Acabam as dúvidas sobre o que é prioridade.

  2. Responsabilidade coletiva: O sucesso deixa de ser individual. Quando o progresso (ou a falta dele) está estampado na parede, o sentimento de “eu fiz a minha parte” morre para dar lugar ao “nós precisamos resolver isso”.

  3. Energia que contagia: Ver o colega do lado empenhado, ter uma ideia e poder validá-la na mesma hora… essa dinâmica cria um ambiente elétrico e motivador.

Ok, mas por que isso não acontece no dia a dia?

Se é tão bom, por que só acontece quando algo dá ruim? Porque, sem perceber, a gente constrói muros que nos separam.

  • Os muros dos silos: A gente se organiza em caixinhas. “Esse é o time de dev”, “aquele é o de produto”, “o pessoal de marketing fica lá”. Cada um com suas metas, cada um no seu mundo.

  • O labirinto digital: É um chat para cada assunto, mais o e-mail, mais o sistema de gestão… a comunicação fica fatiada e superficial. A gente troca mensagens, mas não conversa de verdade.

  • A cultura do “eu”: Muitas vezes, somos cobrados por nosso desempenho individual. Isso nos treina a focar no nosso umbigo e a esquecer que o resultado final depende do esforço de todos.

Então, como a gente derruba esses muros?

A lição da “war room” não é se trancar numa sala, mas sim agir com intencionalidade. Ou seja, fazer a colaboração acontecer, em vez de esperar que ela surja do nada.

A gente começa pequeno, derrubando as paredes invisíveis do dia a dia.

A ideia é criar pontes. Chamar um colega para um café (mesmo que virtual) só pra botar o papo em dia. Criar um ritual de celebrar as pequenas vitórias do time. Abrir a câmera nas reuniões e realmente olhar uns para os outros. Incentivar a troca de ideias sem medo de errar.

No fundo, a mensagem é uma só, e ela é a mais antiga de todas:

A tecnologia ajuda, os processos organizam, mas o sucesso de qualquer projeto ainda depende, e sempre vai depender, de pessoas conversando com pessoas.